De uma brincadeira à campeã estadual

by englobe
1 semana ago
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Desde pequena, sempre incentivamos a Mariana a praticar esportes ou atividades artísticas, como forma de desenvolvimento motor, desinibição, autonomia e, claro, gastar aquela energia que só as crianças têm. Dos 3 aos 10 anos, a Mariana fez capoeira, ballet, jazz, futsal, handebol e teatro. Mas foi em agosto de 2016 que ela realmente se encontrou: na patinação artística.
A única experiência da Mariana sobre rodas havia sido com um roller de plástico, mas sem muito sucesso. Porém, depois de algumas aulas utilizando o equipamento da escola, ela se sentiu tão à vontade que investimos em um patins de modelo bem simples, usado, adquirido no Mercado Livre. Ainda em 2016, ela foi convidada para participar do espetáculo anual da Art em Rodas, em Canoas. Foram três coreografias em conjunto com dezenas de colegas patinadoras, muitos e divertidos ensaios, com direito a participação especial da mãe Rosimeri em uma das músicas. Foi uma noite quente e mágica, com avós e tios curtindo o talento da nossa iniciante patinadora, encerrando um ano de descobertas e com a notícia que deu um frio na barriga: em 2017 ela vai competir.
Após as férias de verão, no da 13 de abril de 2017, a técnica Cátia Owicki apresentou a coreografia montada em cima de um sucesso da Katy Perry, para a disputa da Copa Patinart, em 11 de junho. Conforme os treinos e as aulas particulares aconteciam, a evolução da Mariana era visível e a empolgação dela com o novo desafio, com a confecção do figurino e com a torcida pelas colegas era contagiante. Porém, o patins com base de plástico estava limitando alguns movimentos. Era necessário um patins adequado para a competição. Optamos desta vez por comprar um novo, da Rye Patins, o mesmo que ela utiliza ainda hoje.
Chegou o dia 11 de junho e a nossa Mariana, 11 anos recém completados estrearia em competições. Um dia muito frio, mas muito bonito. No comecinho da manhã, os pais e a equipe do Clube se reuniram para seguir em comboio até o ginásio do Colégio Calábria, na zona sul de Porto Alegre. Logo que chegaram, as meninas puderam fazer o reconhecimento da pista, um momento importante para checar as condições do piso, o tamanho da quadra e para tirar um pouco do nervosismo. As competições começaram e, enquanto não chegava a hora da Mariana, ficamos na torcida pelas colegas de Clube e começamos a entender melhor o mundo da patinação artística.
As famílias literalmente acampam no ginásio. Cobertor, travesseiro, almofadas, café, chimarrão, bolo, pastel, enfim, um kit completo para passar o dia inteiro vibrando com os acertos e aplaudindo as inevitáveis quedas. Isso mesmo, os maiores aplausos são os de incentivo para se levantar e seguir patinando, ensinando e praticando o verdadeiro espírito esportivo. Mas eis que chega a hora da nossa filha competir. E a gente se dá conta que não está preparado.
Cerca de uma hora antes de entrar em quadra, começa o ritual de preparação. Mães e pais se transformam em maquiadores e cabeleireiros profissionais. Já com a roupa de competição, as meninas vão para a concentração e o aquecimento com a técnica. A partir desse momento, as meninas também se transformam. E elas estão preparadas.
O esporte individual propicia esses momentos de solidão e crescimento. Quando as meninas entram em quadra, na frente de centenas de pessoas, elas precisam tomar decisões sozinhas, encarar seus medos, superar o nervosismo. E elas fazem tudo isso com um brilho no olhar, com determinação e coragem. Saem de quadra muito maiores do que entraram.
Aquela Mariana que ao colocar os patins tremia de nervosa, patinou como se fosse uma veterana. O resultado de tanta dedicação veio na forma de um segundo lugar na competição de estreia. Inimaginável para quem mal sabia andar em linha reta, menos de um ano antes da competição.
Nós, pais, também aprendemos a conhecer melhor a Mariana. Entendemos que ela tem muito mais maturidade do que imaginávamos. Compreendemos que o entrosamento entre ela e a técnica Cátia Owicki era fundamental para seu crescimento, incluindo broncas e puxões de orelha. Do mesmo jeito que a gente faz em casa. Porém, a principal lição que a patinação artística está deixando na Mariana é de que somente com muito esforço, dedicação e trabalho, os resultados são conquistados. Nós temos a tendência de proporcionar aos nossos filhos tudo aquilo que não tivemos. É uma geração que tem muitas facilidades. Na patinação a Mariana consegue enxergar o esforço de cada colega, acompanhar a dedicação dos pais, compreender as exigências da treinadora e, no
final, independente do resultado, todos saímos vencedores.
Depois da primeira medalha, vieram novos desafios até chegar ao título de Campeã Estadual em 2018. E com ele, veio de novo a notícia que dá frio na barriga: competições nacionais!


Nosso agradecimento a Família Scarparo por seu empenho e pelo maravilhoso texto escrito pelo Vinícius Santos, pai da Mariana, relatando conosco a sua experiência na patinação.

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